sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

As religiões matrizes africanas no Brazil



A miscigenação  contribuiu para as diversidades culturais. Cada Estado, cada cidade brasileira tem a sua história, sua tradição, seu costume, seu linguajar e a sua gastronomia. Os nativos e os africanos tiveram grande participação histórica no contexto e no desenvolvimento do Brasil.
Nas terras do pau-brasil foram criadas diversas religiões matrizes africanas que ganharam força, poder, inovação e seguidores:



Babaçuê/Batuque-de-mina/Jeje-nagô: é um culto religioso afro-ameríndio popular do Norte e Nordeste do Brasil em especial nos Estados do Amazonas e do Pará. Cultuam deuses yorùbá (Òrìsàs) e ìnkises. A miscigenação Nagô/Yoruba não acontece apenas no Brasil, na Mãe África no antigo Daome região do povo Jeje (Fon/Ewe) alguns dos Voduns cultuados são de origem Nagô trazidos pelo povo Ewe que migrou da Região de Oyo. 
Portanto, a diversidade no culto vem desde a África e seria impossível desfazê-la. No Brasil quase não se tem notícias de terreiros que cultuem apenas Voduns e sendo alguns Voduns de origem Nagô, não podemos falar de pureza no Jeje do Brasil, pois não existe.
Batuque: é uma forma genérica de denominar as religiões afro-brasileiras de culto aos Òrìs encontrada principalmente no Estado do Rio Grande do Sul e se estendeu para os países vizinhos tais como Argentina e Uruguai. O batuque é fruto de religiões dos povos da Costa da Guiné e da Nigéria, com as nações Jêje, Ijexá, Oyó, Cabinda e Nagô.



Cabula/Candomblé-de-caboclo é uma religião afro-brasileira surgida no final do século XIX, na Bahia fruto das tradições do povo Male, Bantu e da religião cristã kardecista. A cabula é uma modalidade derivada da nação Angola que incorporou o culto dos antepassados indígenas, e, é considerada como precursora da Umbanda. Essa vertente desenvolveu-se principalmente nos Estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Candomblé de Caboclo é todo candomblé que além do culto aos Òrìsàs ou ínkisis, cultua também os ameríndios chamados de entidades, castiços,  caboclos boiadeiros e gentileiros. Inicialmente na Bahia os Candomblés não tradicionais, eram na maioria caboclos, que é um misto de Ketu, Jeje e Angolandomblé de Caboclo.


 Candomblé é uma religião derivada do animismo africanizado criada no Brasil onde se cultua os Òrìsàs ou Inkisis, dependendo da nação. O povo-de-santo multiplicou e podemos encontrar na Argentina, na Alemanha, Colômbia, Espanha, Itália, no México, Panamá, Portugal, no Uruguai e na Venezuela.
Candomblé Bantu é uma das maiores nações do candomblé. Desenvolveu-se entre escravos que falavam Kimbundu, Umbundu e kikongo. O Deus Supremo do povo Bantu é Sukula e o idioma mais usado é o zulu, kikoongo e watu. Acreditam que os bantus é originário da nação dos Camarões e do sudeste da Nigéria. A religião está associada com os indígena africana, catolicismo, islamismo, budismo, judaísmo etc.
Candomblé Ketu é uma religiões afro-brasileiras que nasceu na cidade de Salvador no século XIX. Associou o culto aos Òrìs e a religião católica.
Candomblé Djedje/Jeje: é o candomblé que cultua os Voduns do Reino de Dahomey e os Òris Yorùbás. Associou o culto da África Ocidental, África Central com a realidade do Brasil. Àjeji que parecia ser estranho ganhou força e reconhecimento no Maranhão, Bahia e outras cidades brasileiras. Essas divindades são complexa e elevada da Mitologia Fon.

Candomblé Angola: os seguidores da religião afro cultuam os Inkisis, os santos da religião católico e os elementais da natureza. Seu Deus Supremo Nzambi Npungu e o idioma falado durante os ritos ritualístico é o umbundu, kinbundu, ambundu etc. Alguns líderes religiosos do culto afro associou a cultura do Reino do Congo com o Reino Angolense e a cultura brasileira.
Candomblé Vodu/Voodoo: é uma religião tradicional da costa da África Ocidental, da Nigéria e de Ghana. O vodum é praticado pelos Ewe, Kabye, Mina, Fon, e pelos povos yorùbás do sudeste do Ghana, sul e centro do Togo, sul e centro do Benin, e sudoeste da Nigéria. Cultuam O Sol, a Lua, os Loas/Lwa (deuses) e os ancestrais. No Brasil o candomblé vodu foi adaptado de acordo com a nossa cultura e a nossa realidade.



Culto aos egunguns:  Culto aos Espíritos Ancestrais, onde apenas homens podem participar dos ritos ritualísticos Egungun, mas na sociedade matriarcal nativo africano Gèlèdé, as Agbas e as Yami podem cultuar e evocar os Espíritos Ancestrais.
Segundo a tradição, o culto de Egungun é originário da região de Oyò, na África. É um culto exclusivo de homens, sendo Alápini o cargo mais elevado dentro do culto, tendo, como auxiliares, os Ojés. Todo integrante do culto de egungun é chamado de Mariwó. Segundo a lenda o Òrìsàs ngó é o fundador do culto a egungum. Somente ele tem o poder de controlá-los, como diz um trecho de um Itan:
Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Sàngó à frente, as Yami fizeram roupas iguais às de Egungum, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto. A partir daquele momento a yami Oyá foi reconhecida pelos homens como a yami poderosa capaz de controlar e dominar um egungun. 

Culto de Ifá ·  é uma religião africana, nascida na Nigéria há aproximadamente 12.000 anos. Essa religião cultua mais ou menos 4.000 Òrìsàs. Alguns deuses vieram para o Brasil com objetivo de expandir as suas raízes. O culto de Ifá é um sistema divinatório, empregado na África e nos países para onde foi disseminado para decisões de cunho religioso ou social. Utiliza três técnicas diferentes (Opelê, Ikins e Merindilogun), que têm em comum os Odú-Ifá, os signos.
O divinador estuda as técnicas do sagrado oráculo que são 256 odù's de Ifá, a interpretação é passada pelo Afolabi e no momento do jogo o divinador entra em contato com Elà, a divindade da pureza e recebe a orientação de Òrunmìlà, o deus da revelação do destino que estará supervisionando todo o processo de consulta.


Encantaria Terecô/Mata/Encantaria é uma forma de pajelança afro-ameríndia, praticada sobretudo no Piauí, Maranhão e Pará. Em seus rituais, são cultuadas divindades de origens diversas, tais como africanas Inkises e Orixás, ameríndios, cultua o Sol, Jeová como deus único, Espírito Santo e na Virgem Maria. Diferente da Umbanda, na qual as entidades são espíritos de índios e escravos que desencarnaram e hoje trabalham individualmente (geralmente usando nomes fictícios), na Encantaria, as entidades não são necessariamente de origem afro-brasileira e não morreram, e sim, se "encantaram", ou seja, desapareceram misteriosamente, tornaram-se invisíveis ou se transformaram em um animal, planta, pedra, ou até mesmo em seres mitológicos e do folclore brasileiro como sereias, botos e curupiras. Na Encantaria, as entidades estão agrupados em famílias e possui nome, sobrenome e geralmente sabem contar a sua história de quando viveram na terra antes de se encantarem.

Jurema-de-terreiro/Catimbó de terreiro é a designação comum à linha de Catimbó-Jurema que tem seus rituais processados em um terreiro, ao som dos tambores e atabaques. Esta modalidade de culto apresenta uma mas viva influência africana em sua composição, ao contrário das demais linhas do catimbó-jurema, que são, predominantemente, de origem indígena e católica.

Omolokô é uma religião sincrética praticada no Brasil tendo como base elementos africanistas, espíritas e ameríndios. Tambor de Mina é a denominação mais difundida das religiões Afro-brasileiras no Maranhão, Piauí, Pará e na Amazônia. A palavra tambor deriva da importância do instrumento nos rituais de culto.

Santeria brasileira: Considerada por muitas pessoas uma sociedade secreta conhecida como seita. O mediador é identificado como santo que serve de cavalo para as divindades Òrìsàs e os espíritos ancestrais. Eles associaram a religião nativa Ewe-fon do povo yorùbá e a religião cristã europeia.
O que difere das demais religiões afro-brasileiras é o uso de velas conjuradas, velas de intenção, vevéz, pregos, ritos vodu e mandalas. As velas conjuradas são componentes essenciais nos trabalhos da Santeria. Também usam o oráculo como meio de orientação sagrada, ervas, sementes, poções mágicas, bebidas sagradas, amuletos, patuás e a sua tradição religiosa é transmitida oralmente para os membros do culto.

Tambor de Mina é a denominação mais difundida das religiões Afro-brasileiras no Maranhão, Piauí, Pará e na Amazônia. A palavra tambor deriva da importância do instrumento nos rituais de culto. Mina deriva de negro-mina, de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” (Verger, 1987: 12) , no atual República do Ghana, trazidos da região das hoje Repúblicas do Togo, Benin e da Nigéria, que eram conhecidos principalmente como negros mina-jejes e mina-nagôs.


Terecô/Tambor da Mata/Encantaria de Barba Soera é a denominação de uma das religiões afro-brasileiras da cidades de Codó no Maranhão e Teresina no Piauí, derivada do Tambor-de-mina. Os feiticeiros de Codó desempenham funções de rezadores e curandeiros. Cultuam os ameríndios e integram elementos de tradição religiosa africana Jeje-nago.
Umbanda é uma religião heterodoxa brasileira, cuja evolução do polissincretismo religioso existente no Brasil, resultado de motivações diversas, inclusive de ordem social, que originaram um culto à feição e moda do país. A Umbanda é raiz do Candomblé, do espiritismo, catolicismo e ameríndio. Não fazem sacrifícios de animais, apenas utilizam de recursos naturais nas magias de cura, energias dos quatro elementais, energias vitais e energias espirituais. 



Xangô-de-Pernambuco: é semelhante o Batuque do Rio Grande do Sul. Os pernambucanos cultuam Xangô como principal Òrì e Èsù porta-voz dos deuses.
As perseguições religiosas contribuíram para o expansão do culto afro no Brasil. A religião deixou de ser a religião apenas dos pobres, atualmente a religião afro-brasileira passou a ser a religião das elites, não só no sul, mas em todo Brasil. 
Cada religião foi criada de acordo com a necessidade do momento, da realidade regional e do legado dos antepassados.
A religião afro-brasileira é perfeita, encantadora, que deve ser preservada e manter viva. Os pais devem conscientizar sobre a importância da participação das crianças desde cedo em todos os ritos ritualísticos porque serão elas que irão dar continuidades nos trabalhos mágicos e manter viva a nossa história.
Umbandomblé: É uma associação dos conhecimentos do Candomblé com os conhecimentos da Umbanda. As tradições de diversas nações africanas reinam juntas. É uma religião que vem crescendo apesar que muitos umbandistas dizem pertencer a Umbanda, mas a presença de ritos ritualísticos do Candomblé estar presente no seu dia a dia. Nenhuma religião é errada ou está errada por adotar uma formar de trabalhar. Todas merecem respeito e amor.
Vale do Amanhcer é uma religião místico-esotérica que associaram a cultura africana egípcia e yorùbá, judaica-cristão, ameríndio e o cristianismo. Outras religiões matrizes africanas continuarão atraindo as pessoas de todas as classes sociais e lugares. As religiões virão com uma filosofia Espiritual inovada porque serão lideradas por uma Equipe Espiritual Celestial. As pessoas serão conduzidas para um Caminho de Luz, consciência racional e harmonia interior. Haverá uma Nova Ordem no Plano Terra, o ser humano viverá de forma igualitária, será saudável, alegres, livres para pensar, construir um reino justo, de amor e de paz. A transformação não ocorre repentinamente, mas de forma lenta porque o cérebro estão os arquivos de toda a nossa vida, desta e de outra reencarnação. Provavelmente, a Regeneração humana ocorrerá no ano 6 ou seja, 2058 (20+13= 33) na regência de Òsùn-Vênus. Todas as energias elementais da natureza e os seres humanos vão estar em conexão, o Divino Alienígena reinando a Terra, onde os cultos serão universais cósmicos. A Comunidade Terrena Uno terá uma religiosidade voltada para um Deus Uno Universal.
Autora: Rainna Tammy
Fonte de pesquisa:
https://youtu.be/HNYtZgG7VVA

Angola & Yorùbá - Cântico: https://youtu.be/E8CLME7mI6g

Batuque Gaúcho – Jeje-Ijexá: https://youtu.be/KccphQFDWfA

Batuque – Pelotas – RS: https://youtu.be/QNiwt9969ck

Batuque – visão Antropológica: https://youtu.be/ROOj5fu31cM

Batuque Oyá: https://youtu.be/9Jo2Ta6jmHg

BRAGA, Reginaldo Gil. BATUQUE JÊJE-IJEXÁ EM PORTO ALEGRE - Porto Alegre: FUMPROARTE - Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 1998.

Cambinda: https://youtu.be/wSVwTBAlMms

Candomblé Ijexá – música: https://youtu.be/vnkP_9ekGdE

Catimbó-jurema  - RN: https://youtu.be/ldMiUCG2v1Q

Encantaria de Caboclo: https://youtu.be/XB6dman0Jl4


Bita - Codó – Maranhão: https://youtu.be/uglL42874yw
Encantaria/Codó (MA) - João-da-mata: https://youtu.be/pUcWgi4R0zs

História das Religiões Africanas: https://youtu.be/1kP5oX50SDU
 
Nova geração/crianças das Estrelas: https://youtu.be/lvgFNZ1iRDM

https://youtu.be/t9vwR9OW02E

https://youtu.be/jz6uYgnz1jU

Voodoo Goge - África: https://youtu.be/f3OQxXbQd4g


Saída de Yarlei de Ayrá – RJ: https://youtu.be/vgvVXHvXGNU

ARÀ MÁDÀRÁ Rum de ogum (joãozinho): https://youtu.be/9zGAk0xv93E

ORO, Ari Pedro: AXÉ MERCOSUL -  Petrópolis: Vozes, 1999.

Religiões matrizes africanas: https://youtu.be/tSbl2LwFB1s


VERARDI, Jorge. AXÉS DOS ORIXÁS NO RIO GRANDE DO SUL. - Porto Alegre: 1999.


Vale do amanhecer: https://youtu.be/_cs5nkwwXz4

Vale do Amanhecer - Ciganas tagana: https://youtu.be/n8AUNVk1yNM

Voodoo nativo africano – Cerimônia ritualística – Benin https://youtu.be/RDXu8HII6vg

https://youtu.be/NJIEQ2uVX8o

Voodoo – Togo https://youtu.be/4q4wvoq5rB0