sábado, 9 de agosto de 2014

Èjìré, alegria do Ilé ìbo



 
Èjìré/Ìbejì é divinação dos gêmeos em terras Yorùbás. Quando tem filho gêmeo recebe o nome de Táyéwò/Táíwò e  Kẹ́yìndé/Kẹ́hìndé.

Os povos Yorùbás acreditam que Táyéwò/Táíwò para o primeiro dos gêmeos a nascer, que literalmente quer dizer “Vai experimentar a Vida”, é considerado o espírito mais novo, que chega primeiro a Terra, para abrir caminho para seu irmão mais velho, que nasce como a caçula dos gêmeos e Kẹ́yìndé/Kẹ́hìndé para o segundo dos gêmeos ao nascer, que literalmente quer dizer “O ultimo a chegar”, considerado o espírito mais velho. A criança que nasce após os gêmeos é chamada de Ìdòwú, aquele que veio trazer equilíbrio aos gêmeos.

Onde predomina o patriarcalismo, a divindade gêmea é do sexo masculino, onde a região é feminista o gêmeo é do sexo feminino e casal de gêmeo quando o povo dualista.

Èjìré/Ìbejì é uma Divindade que rege o nascimento duplo, mas não é uma divindade primordial, não são espíritos infantis que podem ser incorporado por um mediador. Não é um Òrìsà que entra em transe, não possui filhos (Omọrìṣà) e nem é “raspado” na cabeça de ninguém, ou seja, não há Igbẹ̀rẹ̀ (iniciação) em Èjìré/Ìbejì. Eles são seres espirituais que vivem tanto na Dimensão Espiritual quanto na Terra em uma sociedade.
Nos primórdios da Terra, também se reuniam em sociedades, assim como as Ìyámi Ẹlẹ́yẹ (feiticeiras), os Àbíkú (espíritos natimortos) e outras sociedades nigerianas...
Provavelmente, a origem do culto Èjìré/Ìbejì, seja em Ìṣokùn, cidade que hoje próxima à cidade de Ọ̀yọ́ – Estado de Ọ̀yọ́ na Nàìjíríà (Nigéria). Foi nesta cidade, que Èjìré/Ìbejì veio a Terra (Àiyé) pela primeira vez, uns dizem que foi através da mulher de um fazendeiro de Ìṣokùn, outros dizem que foi através da mulher de um Rei de Ìṣokùn.

Os povos Yorùbás acreditam que cada pessoa que nasce na Terra, deixa um duplo no Céu – Ẹnikéjì, que fica na espera daquele que veio a Terra (Àiyé) voltar.
A superstição sobre nascimento duplo predominou por muitos anos como algo considerado maldito. Por esse motivo, os gêmeos passaram a serem sacrificados, inicialmente os dois, depois apenas um, com a crença de que mandariam de volta para o Ọ̀run (Céu) aquele que veio pra Àiyé (Terra), mas deveria ter ficado por lá. Mas o número de nascimento duplo crescia e as crianças sacrificadas aumentavam dia a dia. As famílias ficaram preocupadas com tais mistérios e recorreram ao oráculo de Ifá.
Conta um Ìtàn (História Sagrada do Corpus Oral de Ifá), que na época em que os Èjìré/Ìbejì (gêmeos) eram sacrificados, em Ìṣokùn.
Um casal dá a luz a gêmeos, mas por amarem muito suas crianças e não desejarem sacrificá-las, então buscaram Ifá (o oráculo sagrado) para darem um melhor caminho aos seus filhos, que não fosse à morte.
O Sábio Ọ̀rúnmìlà, Divindade que é a Testemunha de todos os Destinos, declara que não deveriam sacrificar nenhum Èjìré/Ìbejì que viesse a nascer neste Mundo, declarando então, que o duplo nascimento, ou seja, o nascimento de gêmeos, não deveria ser um motivo de tristeza e de má sorte, pelo contrário, deveria ser um orgulho, uma honra, uma enorme alegria para os pais dos gêmeos e para seus familiares.
A vinda de gêmeos significa muita sorte para o âmbito familiar. E determinou que os pais dos gêmeos deveriam festejar os nascimentos duplo, tratá-los com muito amor, carinho, mimos. Ao cruzasse com os Èjìré/Ìbejì (gêmeos) deveriam presentear-lhes. E assim nasce o CULTO A ÌBEJÌ/ÈJÌRẸ́/ẸDÚNJỌBÍ (Gêmeos), em terras Yorùbás.
Caso um dos gêmeos venha a falecer, a mãe deve ir ao mercado artesanal de um gêmeo e comprar uma estatueta – Ère Ìbejì e levá-lo para sua casa para que seja venerado e amado.
Ter filhos gêmeos é algo tão maravilhoso para os Yorùbás, que eles utilizam-se da expressão Èjìrẹ́ Ọ̀kín, referindo-se que a beleza de possuir gêmeos é tão qual a de um Pavão (Ọ̀kín).


O culto a Ìbejì é realizado através de pactos (imulẹ̀) com Èṣù (Ìdòwú) e com a Ẹgbẹ́ Ọ̀run Ìbejì (a Comunidade Espiritual dos Gêmeos), montamos Ojúbọ (altar) aos mesmos, com representações feitas através de estatuetas de madeira e outros símbolos.
Graça o sábio Ọ̀rúnmìlà as vidas dos Èjìrés foram ceifadas e abençoadas com Àse. Eles simbolizam a Força Vital, a dádiva encantadora de uma família.



No Brasil, o gêmeo homenageado é Cosme e Damião. Eles são santos panteões das crianças. As religiões Afro-brasileiras homenageiam as criançadas no dia 27 de setembro e outros homenageai-as no dia 12 de outubro.


Segundo a mitologia, os gêmeos Cosme e Damião eram filhos de uma nobre família cristã que nasceram por volta do ano 260 d.C., na região da Arábia e viveram na Ásia Menor, no Oriente. 
Desde muito jovens, ambos manifestaram um enorme talento para a medicina, profissão a qual se dedicaram após estudarem e diplomarem-se na Síria.
Tornaram-se profissionais muito competentes, dignos, e foram trabalhar como médicos e missionários na Egeia - Síria como um dos voluntários, salvando centenas de vidas de crianças. Sua atitude generosa atraiu admiradores no mundo europeu e no Brasil.
A religião africanizada por não ser cristão não homenageia Cosme e Damião como uma divindade, e sim como uma pessoa gêmea que merecem respeito e gratidão pelo trabalho social prestado. 
Nos cultos afro-brasileiros colocam frutas, guloseimas e brinquedos sob suas estatuetas para invocar a benevolência de Ìbejì como criança. A incorporação de espíritos infantis desperta a criança interior que existe.



Táyéwò é saudado com a expressão: Táyé Lólú Èjìrẹ́.




Animal-totem: macaco.

Autora: Rainna Tammy

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