quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ògún, marco da evolução metálica

 
 
Ògún da terra dos deuses Yorùbá (Ilè Ifè), filho de Odùduwà e de Ìyá Olóòkun tornou símbolo da Idade dos Metais, criador das ferramentas para defesa pessoal, para caçar e para a agricultura. A descoberta do Metal foi fundamental para a criação de novos instrumentos com durabilidade bem maior. O ferro e o cobre ao passar por uma fundição de alta temperatura entre 1530ºC e 2450ºC tornavam-se maleável e ganhava uma nova cara ao ser transformado e polido.

 

O minério de ferro tirado da própria natureza era transformado em diversos instrumentos metálicos. A necessidade do momento contribuía para a evolução do homem que era obrigado a criar a fim de facilita a vida no dia a dia. Essas invenções foram importantes para agricultura da época e para os nossos dias. É claro que os armamentos, as ferramentas e os utensílios se aperfeiçoaram. 
Segundo a mitologia africana, Tóbi Ode era um grande caçador que mais tarde por seu ato de bravura e invenções recebeu o título de Ògùn-Ode.
Como gostava muito de lutar e caçar, um dia foi para o alto de uma Òkè (montanha), onde havia pedreira e uma vasta floresta ficando-o por muito tempo.
A vida na floresta, o isolamento e a convivência com os animais tornaram-no um homem com personalidade difícil, intolerável, guerreiro. Esse momento que estivera na floresta cercado de animais ferozes e outros perigos pode refletir e valorizar a vida em grupo. Ele retornou disposto a defender a sua espécie, o seu povo e a sua família. Preparado para enfrentar qualquer desafio e derrotar os inimigos desceu a montanha vestido de fogo e foi para Ìré , Estado de Ondo. Lá foi muito bem recebido, deram-lhe comida e bebida. A cidade estava em guerra e Ògún conseguiu livrá-la dos inimigos. Por esse motivo foi aclamado como Oníré - dono da cidade de Ìré, nome até hoje usado como qualidade de Ògún, tanto na Nigéria quanto no Brasil.

 
Ògún Osinmalè 
  
Conta à história que há muito tempo, quando os Òrìsàs desceram para a Terra, encontraram no meio do caminho uma mata cerrada que não dava para ninguém passar. Òrìsànlá, que vinha à frente, adiantou-se para abrir caminho, mas sua faca de prata, que era muito frágil, quebrou-se.
Ògún, com sua faca de ferro que corta tudo, conseguiu abrir trilho na mata para todos passarem. Por esse motivo, quando desceram a Terra, Ògún foi reconhecido pelo seu povo e recebeu em Ilè Ifè os títulos de Omo Ìlú (pessoa importante da cidade), e Osinmalè - importante entre os Òrìsàs.
Ògún preferiu receber uma coroa de ferro como seu símbolo de grandeza e nobreza. A Àkòró simboliza a aliança de Ògún com o seu povo. Por causa dessa aliança ficou conhecido como Òrìsà Ògún Ifè Àkòró.
A festa de Ògún na Nigéria é realizada uma vez por ano, e dura sete dias. Os preparativos começam em julho e a festa é realizada em agosto. Vale dizer que Ògún em Yorùbá quer dizer agosto.
 
Ògún é um Òrìsà guerreiro, corajoso e que comandou, treinou uma tribinagem para qualquer batalha tanto espiritual quanto no plano físico.
Na África o culto a divindade Ògún é restrito aos homens, e existiam templos em Ilésà (Ìjèsà), Ìgbó, Ondo, Ekìtì, Ìré e Òyó.
Portanto, o uso dos metais na vida cotidiana desses povos teve grande importância para a consolidação e principalmente na destruição de grandes civilizações na pré-história e no mundo antigo, sendo de grande utilidade para a subsistência, no caso a agricultura, e também na imposição de poder.
Graça as descobertas e invenções do passado podem usufruir do metal de forma modernizada no nosso dia a dia. 

Pàtàkòrí Ògún!

Pàtàkí Òrìsà Ògún!

Autora: Rainna Tammy
 
 
 



Fonte de Pesquisa:


Cafundó - Filme completo  http://youtu.be/xyDWSSzvsjs


Dança tradicional de Ògùn - Benin - Nigéria http://youtu.be/YB7lztYu6so


DAHOUI, Albert Paul. O Cajado do camaleão. 1 ed. - Rio de Janeiro: Corifeu, 2006.


PROJETO ARARIBÁ: história/obra coletiva, concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinária Melani. - São Paulo: Moderna, 2006.



VERGER, Pierre Fantumbi. Notas sobre o culto aos Orixas e Voduns na Bahia de todos os Santos, Brasil, e na Antiga Costa dos Escravos, na África. – [Tradução: Carlos Eugênio Marcondes de Moura]. 2 ed. – São Paulo: Editora Universidade de São Paulo, 2000.