terça-feira, 22 de abril de 2014

Magia tem cor?



As culturas antigas, na tentativa de enfrentar os problemas relacionados à existência da vida e de entender o mundo, encontraram um meio de se defender dos perigos reais e imaginários, criando seus deuses, semideuses, heróis, sortilégios e rituais fabulosos. Diante das forças misteriosas que acreditavam que o ser humano era o centro do Universo.
Os atos mágicos significavam um esforço do ser humano em entender e resolver seus problemas, que eram enormes diante do seu desconhecimento do mundo. Uma magia ou um feitiço eram baseados na tradição ritualístico de uma cultura e as manipulações eram corretas por causa da sua crença. No decorrer do tempo os seres humanos foram aperfeiçoando de acordo com a Evolução Espiritual, Intelectual e a realidade do momento para realizar as mágicas.
Não se sabe quem titulou e classificou a magia ou feitiço usando nomes de cores para diferenciá-lo. Alguns acreditam que a magia negra recebeu esse título pejorativo para denegrir a imagem do povo africano como algo diabólico e maligno.
A magia ou feitiço não tem linha, nem cor, não é branca e nem preta, nem é leve e nem pesada, não é alta e nem baixa, não é de deus e nem do diabo, pois a magia é nossa. Somos criadores dessa Arte. Dependendo do nosso emocional e do nosso psíquico, a magia ou feitiço estará voltado para lado positivo ou negativo.
O Altar pode ser arrumado da forma que achar melhor, os instrumentos, os símbolos e a cor da toalha é apenas simbólico para melhor conexão com o Divino, com os Universos e com os elementais naturais. O nosso sortilégio ganha força e poder a partir do momento que usamos rituais concretos porque o nosso cérebro exige tal ação para que obedeça o nosso comando. A nossa visão é ilusionaria, a nossa mente é fácil de ser manipulada e enganada por isso que é importante discipliná-lo através de exercícios e meditação.


Os místicos-esotéricos Afros-Summer classificam os sortilégios da seguinte forma: Magia Diurna, Magia Noturna, Magia Lícita e Bruxedo Ilícita.
Quando uma Arte Mágica é realizada durante o dia o Altar é direcionado ao Leste (Magia Diurna). Mas quando a Arte Mágica é concretizada no decorrer da noite, o Altar é  posicionado ao Oeste e chamamos de Magia Noturna.
Um Sortilégio pode ser: lícita quando envolve energia otimista do pensamento e do coração a fim de beneficiar a si mesmo ou a uma outra pessoa.
A partir do momento que sacrifica uma vida principalmente humana para salvar outra vida e emanar energia nociva para maldiçoar alguém numa cerimônia ritualística a magia deixa de ser encantadora e torna um Bruxedo Ilícito.
Para fazer um Bruxedo Ilícito é preciso estar em desarmonia com o Cosmo, estar desequilibrado emocionalmente, ou seja, estar num momento de rancor, ódio, vingança para conectar com os espíritos afins.
Portanto, no mundo da magia existe a dualidade Bem e Mal, não existe meio termo, hora faço magia para bem, hora faço bruxedo ilícito. Quem deseja trilhar na luz nunca pode viver no mundo das sombras.
A partir do momento que uma pessoa adquire conhecimento holístico e atinge uma consciência racional deixará de ser coagida, escravizada e caminhará na Luz e com a Luz.
 

Autora:  Rainna Tammy


segunda-feira, 21 de abril de 2014

A batalha de Olórogun

Ológun
Olórogún ou Ológún significa “ritual de batalha”: oro (ritual) + ogun (conflito/batalha). A partir de quarta-feira de cinza dá-se o início um período de vigilância redobrada com o nosso emocional. A sensibilidade e o Sistema Nervoso Central poderão abalar com mais facilidade, torna mais vulnerável por um período de quarenta dias. Está tradição só tem valia se o culto afro estiver aliado com a religião cristã católico romana.
O conflito do EGO/SUPEREGO X ID, ou seja, luta do Bem e do Mal, uma batalha acirrada. Temos que está fortalecido espiritualmente e intelectualmente para que possamos vencer. O Exército de Ògùn representa o SUPEREGO, o Exército de Sàngó representa o EGO ambos terão que combater o ID (Ajogun/Elinini)¹.
Durante o combate as pessoas deverão fazer jejum, àdúrà e meditação. Na sexta-feira os mediadores deverão ir à Árvore Sagrada (ÌRÓKÒ) despejar água em volta, entregar as oferendas² antes do Sol nascer, acender velas brancas em volta, rezar àdúrà pedindo a Òsàlá para que cesse o Conflito e traga a paz ao mundo físico e espiritual.
Os mediadores devem retornar para o Espaço Sagrado para fazer estudos litúrgicos, reflexão, meditação e outras atividades espirituais. Na sexta-feira comemora a Morte e o Renascimento; no Sábado culto de ação de graça, dia dos três pedidos; no domingo de dará início com Palestra, Confraternização, distribuição do Pão Sagrado e Chocolate branco em forma de ovo, marco de uma Nova Vida, dia da Vitória.
A Quarentena ou Quaresma é período de Recolhimento Espiritual. Isto quer dizer: não parar com as Atividades Espirituais e nem cobrir as Estatuetas Sagradas, mas ter cautela com as Ações e as Emoções no dia a dia.


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1-As forças do id buscam a satisfação imediata sem tomar conhecimento das circunstâncias da realidade. O ego serve como mediador, um facilitador da interação entre o id e as circunstâncias do mundo externo. O ego representa a razão ou a racionalidade, ao contrário da paixão insistente e irracional do id. O ego obedece ao princípio da realidade, refreando as demandas em busca do prazer até encontrar o objeto apropriado para satisfazer a necessidade e reduzir a tensão. O superego representa a moralidade. Freud descreveu-o como o "defensor da luta em busca da perfeição”.

O ego não existe sem o id; ao contrário, o ego extrai sua força do id. O ego existe para ajudar o id e está constantemente lutando para satisfazer os instintos do id. Freud comparava a interação entre o ego e o id com o cavaleiro montando um cavalo fornece energia para mover o cavaleiro pela trilha, mas a força do animal deve ser conduzida ou refreada com as  rédeas, senão acaba derrotando o ego racional.
 
Elinini (Karma): acúmulo de energia nociva no mundo físico e metafísico; obstáculos.
Ajogun: inimigo e demônio; conflito do eu.

2- sobre as folhas de mamona branca coloque uma tigela branca com pirão de milho branco, canjica, arroz-doce, copo com água e rosas brancas. Acenda as velas brancas saudando Òrìsà nlá (Òòsà nlá).

Autora: Rainna Tammy


Fonte de pesquisa:


Afro-Ásia.. ed. 2-9, p. 1966.


BENISTE, José. Òrun - Àiyé: o encontro de dois mundos:  o sistema de relacionamento nagô-yorubá entre o céu e a terra. 10 ed. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.


MARX, Melvin H. Sistema e teorias em psicologia. - [Tradução: Álvaro Cabral] - - São Paulo: Cultrix, 2008.


ROCHA, Agenor Miranda. As nações Kêtu: origens, ritos e crenças: os candomblés antigo do Rio de Janeiro. 2 ed. ampl. - Rio de Janeiro: MAUD Editora, 2000.