sábado, 16 de agosto de 2014

Ìyámi Òsóòròngà (Minha mãe emplumada)

Arte: Nilson T. Oshaguian

As Ìyá-mí tornaram-se conhecidas como às senhoras dos pássaros, a causadora de pavor à humanidade. Por causa do mito que espalhava de aldeia em aldeia como sendo feiticeiras mais perigosas do mundo, a sociedade Àjé foi muito perseguida.
As Ìyá-mí são adoradoras da Lua, do Fogo, da Noite, das deusas Ìyá Àgbà Olósà Nàná, Ìyá mi Yemojá e Ìyá mi Òsùn. Todos os seus ritos e rituais são feitas após a por do Sol. Essa sociedade feminina se reunia a noite formando um grande círculo das feiticeiras emplumadas. Elas podem voar como um grande pássaro e penetrar nos mistérios ocultos. As bruxas noturnas evocam as deusas tríplices (Olósà Nàná, a Anciã; Yemojá, a genitora e Òn, a donzela procriadora). Também invocavam as energias naturais da Terra e assumem uma forma divina durante os seus ritos mágicos.
Atualmente o grupo da Nova Era incluem homens no Grande círculo mágico da Bruxaria noturna africana.

Segundo Ronilda Iyakemi Ribeiro “as Ìyá-àgbà (as anciãs, pessoas de idade, mães idosas e respeitáveis), também chamadas Àgbà; Ìyámi (minha mãe), Ìyámi Òsóòròngà, Minha mãe emplumada; Àjé/Eléye Senhora dos pássaros, representam os poderes místicos da mulher em seu duplo aspecto – protetora, generosa e perigosa e destrutiva.
Segundo Pierre Verger, a feitiçaria é considerada anti-social em muitas culturas, porém, na sociedade Yorùbá tradicional, as Àjés (feiticeiras) não são execradas, mas constituem um dos pilares essenciais da comunidade.
Todos os ancestrais femininos, as Ìyagbà ou Ìyámi, têm sua instituição em sociedades como Egbé Eléye, Egbé Ògbóni e Egbé Gèlèdé, consideradas secretas pelo fato de os seus conhecimentos serem transmitidos apenas a iniciados.

As mulheres pertencentes ao grupo de devotos das Ìyámi são chamadas Ìyá-Àgbà ou Ìya Aiyé (Mães do Universo, Mães Anciãs ou Veneráveis Mães Anciãs); Ìyá mi mulheres que são mães e os homens são chamados de Òsó (Bruxo, Feiticeiro). Ambos ficam atribuídos do poder de manipular o destino humano através de rituais de consagração. A aquisição do poder das Ìyámi ocorre pelo nascimento, por herança e pela iniciação. Diz o provérbio que o filho de Iyami tem sexto sentido mais aguçado podendo sentir, ver as energias astrais com mais nitidez e comunicar com mundos de outras dimensões.


No Brasil a história da Ìyámi Òṣòròngà (Divindade Senhora Feiticeira) também chamada de Ìyámi Àjẹ́ e Ìyámi Ẹlẹ́yẹ), Ìyámi Ayé (Divindade Terrestre) e principalmente as Àjẹ́ (Feiticeiras), o termo Yorùba Ìyámi (que literalmente quer dizer MINHA MÃE) é um termo utilizado para referir-se a diversas energias foi bastante difundida como algo maléfico, perigoso e monstruoso.  
Na Nigéria o culto a Ìyámi Òṣòròngà, consequentemente o culto de Àjẹ́ (feiticeira) e Oṣó (feiticeiro), é secreto e restrito.
As Àjẹ́ e Oṣó pertencem ao grupo dos Àjògún, guerreiros que lutam contra o ego e prezam o equilíbrio do Universo, liderados por Èṣù e Ìyámi Òṣòròngà, energias que só devem ser cultuadas por aqueles que possuem equilíbrio psíquico, emocional e zela pela sua moral. Lidar com Energias Astrais dos Ancestrais exigem cautela e conhecimento avançado sobre o Mundo Espiritual. Jamais um leigo ou iniciado podem fazer evocação espirituais sozinhos ou evocar Energias Espirituais por curiosidade porque pode ocorrer a presença de Energias Espirituais Nocivas a fim de enganá-las e pode ser confundida com Espíritos de Luz. Não se pode confundir Evocação com Invocação[1]. É comum muitas pessoas associarem a Invocação e a Evocação como sinônimo de Invocação, enquanto possuem uma diferença definitiva em um ritual mágico. As invocações de deuses e de energias elementais podem ser efetuadas por quaisquer pessoas sem nenhum perigo porque essa Energia irá auxiliar nas suas magias lícitas ou na aproximação do Divino. O elo com o Cosmo é muito importante para que nós mantenhamos a Essência Divina na nossa mente e no nosso coração. A meditação é um exercício mental que conduz ao mundo da harmonia, da paz e do amor.
As Ìyámi são zeladoras da existência, guardiãs do destino e do ocultismo: por isso sua boa vontade, essencial à continuidade da vida e da sociedade deve ser cultivada.
A partir do momento que uma pessoa deseja fazer um Bruxedo Ilícito terá que estar carregado de Energia Nociva para prejudicar alguém. Neste caso exige invocação de espirituais inferiores faça presente no momento da manipulação, ou seja, quem irá atuar, aproximar e executar a ação serão espíritos de alta peculosidade como: espíritos homicidas, suicidas, estupradores, psicopáticos etc.
Se a pessoa tiver sensibilidade mais aguçada poderá entrar em transe e será desastroso. Eles não fazem nada de graça e as cobranças virão de forma violenta sobre os executadores do Bruxedo Ilícito e sobre a família.
Há sacerdotes que divulgam vídeos ou publicam nas suas obras incentivando a Bruxaria Solitária e diversos tipos de manipulação de Bruxedo Ilícito apenas para ganhar fama, dinheiro e não pensam nas consequências dos leitores leigos que colocam em prática tais atos no momento de desespero.
Potanto, queridos leitores tenham bastante cautela, discernimento e sabedoria ao executar tais atos no seu dia a dia.
Animal-totem: Coruja e gavião real.
Número: 8.
Lua: Minguante, Crescente/Cheia e Nova.

Cor: Verde, preta, branca, lilás, amarelo ouro, azul royal e vermelho.
Local sagrado: Encruzilhada e floresta.

Instrumento mágico: Vassoura, cabaça
Oferendas: flores, frutas, plumas, ovos, colar, búzio, brinco etc. 


[1] EVOCAÇÃO s.f. Ação de evocar, de recordar, de lembrar: a evocação do passado. Ação de fazer aparecer através de exorcismos, entidades sobrenaturais, espíritos ancestrais para realizar algo benéfico ou maléfico. A Evocação já é o convite à Divindade para participar do ritual em matéria astral ou espiritual dentro do espaço sagrado.

INVOCAÇÃO s.f. Ação de invocar e de chamar por alguém. Chamamento; pedido de socorro; rogo. Súplica de forma poética a uma divindade ou um espírito amigo para pedir inspiração, auxílio, intuição e luz para concretizar algo benéfico para si mesmo ou para o próximo. A Invocação se caracteriza por convidar a Divindade para participar do ritual no corpo de uma pessoa responsável.
  

Autora: Rainna Tammy

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Ser Bruxo (a)


Ser bruxo é um compromisso ancestral hereditário. Ninguém torna bruxo por achar bonito e encantador. Desde o momento da sua fecundação já é escolhida e no decorrer do seu desenvolvimento físico e espiritual ocorrerá o Despertar do mundo interior.
Os conhecimentos místicos-esotéricos que estavam guardados no seu arquivo cerebral desabrocham e as revelações irão acontecendo no seu dia a dia. É algo que mesmo que tenta evitar, mas uma força maior diz que tudo é natural e devemos continuar aquilo que provavelmente ficou incompleto.
Ser bruxo é honrar e evocar os deuses e os nossos ancestrais, ser bruxo é preservar o ecossistema, invocar as energias dos elementares, crê na vida após a morte do corpo físico, ser tolerante, grato, alegre e ser livre para poder voar no mundo do pensamento. Ser bruxo é reconhecer que a disciplina é importante para a sua evolução, ser onipresente, ser onisciente, saber ouvir e orientar para o caminho da Luz.


Os bruxos estão presentes em todas as religiões trabalhando com o misticismo. Eles conhecem o mundo espiritual porque estão interligados. São intuitivos, recebem diversas revelações, falam em idiomas diferentes, curam as enfermidades, interpretam sonhos, conseguem conectar com mundo de outras dimensões e sabem interpretar lâminas ou livros sagrados.
Os bruxos estão sempre num cargo de destaque nas instituições religiosas e nos campos profissionais. Eles são reconhecidos pela sua essência, pelo seu poder e pela sua sabedoria multifocais. As religiões cristãs titulam de santo por causa da sua sabedoria e pureza. Também recebem revelações das dimensões Cósmicas e fazem profetização. Alguns acreditam que são virtudes Divinas, instrumentos do Espírito Santo, enquanto que outros os chamam de Buda ou de Mestre de Luz. Não importam como chamam, mas estão presentes. 
Quando a Igreja Católica estava no comando do mundo titulou de Bruxo todos aqueles que tinham uma crença baseado no Ancestral Místico, que não aceitava o Monoteísmo de um deus cruel, autoritário, totalitário, não concordavam com a filosofia e a doutrina da igreja cristã. Por não acatar as ideias cristãs foram considerados hereges, bruxos, feiticeiros, pagãos, satã manifestado e demônios. Essas pessoas foram perseguidas, presas, coagidos pelos cristãos e tiveram que confessar publicamente que eram Bruxos.
Tiveram suas casas queimadas, as gestantes, as crianças e os idosos foram punidos e mortos cruelmente. Foram enforcados, apedrejados até a morte e outros queimados vivos.
Um Bruxo representava perigo para a política e para as religiões cristãs porque eram revolucionários. Continuar a cultura dos Ancestrais foi um grande desafio na época e ainda continua, mas a união da Religião Antiga ganha força para divulga-la e poder praticar suas magias de forma livre.


No passado o suposto Bruxo tinha que viver e praticar seus ritos e rituais de forma solitária, mas ser Bruxo solitário não é uma forma segura porque o mundo espiritual é perigoso e ainda esconde grande mistério. Muitos que tentaram penetrar no Mundo dos Espíritos sem um conhecimento profundo acabaram passando mal, adquirindo doenças misteriosas e outros perderam tudo que conquistou.
O Bruxo Solitário está sujeito a passar por diversos desafios e se torna vulnerável. Se o Bruxo for sensível está sujeito a captar diversas energias negativas e se não saber lidar com essa energia poderá trazer mal-estar, desiquilíbrio emocional, desgaste de energia e outra complicação no seu dia a dia. Se mexer com pessoas são difíceis,pois o Mundo Espiritual é mais difícil porque muitos não conseguem ver. O Bruxo Solitário é uma presa fácil de ser devorado por um lobo porque sozinho não terá ninguém para socorrê-lo e salvá-lo.
A Fonte Criadora foi perfeita na sua criação, pois os seres da mesma espécie sempre mantiveram juntos. Nossos Antepassados também viviam em bando. Jesus quando iniciou a sua pregação sempre ia acompanhado dos seus discípulos e até mesmo numa oração é bom que esteja em grupo. Todos os seres vivos no momento da fecundação dependem um dos outros para sobreviver. O embrião depende das energias vitais da sua mãe por isso que há o cordão umbilical interligando.
Nunca é bom que esteja sozinho, pois os grandes sábios sempre mantiveram junto com outros sábios. Uma vara é fácil de ser quebrado mais quando há várias varas  juntas mesmo sendo finas não se quebrarão com facilidade.

O Bruxo deve estudar bastante, fazer parte de algum grupo, fazer treinamento mental e participar de encontro a fim de fortalecer o seu lado espiritual. Todos nós temos os poderes mágicos, mas temos que ter cautela em nossos feitiços e responsabilizar pelos atos. 
Você pode preparar o seu céu ou seu inferno. Cada pessoa responde as consequências segundo as suas ações.



Autora: Rainna Tammy

sábado, 9 de agosto de 2014

Èjìré, alegria do Ilé ìbo



 
Èjìré/Ìbejì é divinação dos gêmeos em terras Yorùbás. Quando tem filho gêmeo recebe o nome de Táyéwò/Táíwò e  Kẹ́yìndé/Kẹ́hìndé.

Os povos Yorùbás acreditam que Táyéwò/Táíwò para o primeiro dos gêmeos a nascer, que literalmente quer dizer “Vai experimentar a Vida”, é considerado o espírito mais novo, que chega primeiro a Terra, para abrir caminho para seu irmão mais velho, que nasce como a caçula dos gêmeos e Kẹ́yìndé/Kẹ́hìndé para o segundo dos gêmeos ao nascer, que literalmente quer dizer “O ultimo a chegar”, considerado o espírito mais velho. A criança que nasce após os gêmeos é chamada de Ìdòwú, aquele que veio trazer equilíbrio aos gêmeos.

Onde predomina o patriarcalismo, a divindade gêmea é do sexo masculino, onde a região é feminista o gêmeo é do sexo feminino e casal de gêmeo quando o povo dualista.

Èjìré/Ìbejì é uma Divindade que rege o nascimento duplo, mas não é uma divindade primordial, não são espíritos infantis que podem ser incorporado por um mediador. Não é um Òrìsà que entra em transe, não possui filhos (Omọrìṣà) e nem é “raspado” na cabeça de ninguém, ou seja, não há Igbẹ̀rẹ̀ (iniciação) em Èjìré/Ìbejì. Eles são seres espirituais que vivem tanto na Dimensão Espiritual quanto na Terra em uma sociedade.
Nos primórdios da Terra, também se reuniam em sociedades, assim como as Ìyámi Ẹlẹ́yẹ (feiticeiras), os Àbíkú (espíritos natimortos) e outras sociedades nigerianas...
Provavelmente, a origem do culto Èjìré/Ìbejì, seja em Ìṣokùn, cidade que hoje próxima à cidade de Ọ̀yọ́ – Estado de Ọ̀yọ́ na Nàìjíríà (Nigéria). Foi nesta cidade, que Èjìré/Ìbejì veio a Terra (Àiyé) pela primeira vez, uns dizem que foi através da mulher de um fazendeiro de Ìṣokùn, outros dizem que foi através da mulher de um Rei de Ìṣokùn.

Os povos Yorùbás acreditam que cada pessoa que nasce na Terra, deixa um duplo no Céu – Ẹnikéjì, que fica na espera daquele que veio a Terra (Àiyé) voltar.
A superstição sobre nascimento duplo predominou por muitos anos como algo considerado maldito. Por esse motivo, os gêmeos passaram a serem sacrificados, inicialmente os dois, depois apenas um, com a crença de que mandariam de volta para o Ọ̀run (Céu) aquele que veio pra Àiyé (Terra), mas deveria ter ficado por lá. Mas o número de nascimento duplo crescia e as crianças sacrificadas aumentavam dia a dia. As famílias ficaram preocupadas com tais mistérios e recorreram ao oráculo de Ifá.
Conta um Ìtàn (História Sagrada do Corpus Oral de Ifá), que na época em que os Èjìré/Ìbejì (gêmeos) eram sacrificados, em Ìṣokùn.
Um casal dá a luz a gêmeos, mas por amarem muito suas crianças e não desejarem sacrificá-las, então buscaram Ifá (o oráculo sagrado) para darem um melhor caminho aos seus filhos, que não fosse à morte.
O Sábio Ọ̀rúnmìlà, Divindade que é a Testemunha de todos os Destinos, declara que não deveriam sacrificar nenhum Èjìré/Ìbejì que viesse a nascer neste Mundo, declarando então, que o duplo nascimento, ou seja, o nascimento de gêmeos, não deveria ser um motivo de tristeza e de má sorte, pelo contrário, deveria ser um orgulho, uma honra, uma enorme alegria para os pais dos gêmeos e para seus familiares.
A vinda de gêmeos significa muita sorte para o âmbito familiar. E determinou que os pais dos gêmeos deveriam festejar os nascimentos duplo, tratá-los com muito amor, carinho, mimos. Ao cruzasse com os Èjìré/Ìbejì (gêmeos) deveriam presentear-lhes. E assim nasce o CULTO A ÌBEJÌ/ÈJÌRẸ́/ẸDÚNJỌBÍ (Gêmeos), em terras Yorùbás.
Caso um dos gêmeos venha a falecer, a mãe deve ir ao mercado artesanal de um gêmeo e comprar uma estatueta – Ère Ìbejì e levá-lo para sua casa para que seja venerado e amado.
Ter filhos gêmeos é algo tão maravilhoso para os Yorùbás, que eles utilizam-se da expressão Èjìrẹ́ Ọ̀kín, referindo-se que a beleza de possuir gêmeos é tão qual a de um Pavão (Ọ̀kín).


O culto a Ìbejì é realizado através de pactos (imulẹ̀) com Èṣù (Ìdòwú) e com a Ẹgbẹ́ Ọ̀run Ìbejì (a Comunidade Espiritual dos Gêmeos), montamos Ojúbọ (altar) aos mesmos, com representações feitas através de estatuetas de madeira e outros símbolos.
Graça o sábio Ọ̀rúnmìlà as vidas dos Èjìrés foram ceifadas e abençoadas com Àse. Eles simbolizam a Força Vital, a dádiva encantadora de uma família.



No Brasil, o gêmeo homenageado é Cosme e Damião. Eles são santos panteões das crianças. As religiões Afro-brasileiras homenageiam as criançadas no dia 27 de setembro e outros homenageai-as no dia 12 de outubro.


Segundo a mitologia, os gêmeos Cosme e Damião eram filhos de uma nobre família cristã que nasceram por volta do ano 260 d.C., na região da Arábia e viveram na Ásia Menor, no Oriente. 
Desde muito jovens, ambos manifestaram um enorme talento para a medicina, profissão a qual se dedicaram após estudarem e diplomarem-se na Síria.
Tornaram-se profissionais muito competentes, dignos, e foram trabalhar como médicos e missionários na Egeia - Síria como um dos voluntários, salvando centenas de vidas de crianças. Sua atitude generosa atraiu admiradores no mundo europeu e no Brasil.
A religião africanizada por não ser cristão não homenageia Cosme e Damião como uma divindade, e sim como uma pessoa gêmea que merecem respeito e gratidão pelo trabalho social prestado. 
Nos cultos afro-brasileiros colocam frutas, guloseimas e brinquedos sob suas estatuetas para invocar a benevolência de Ìbejì como criança. A incorporação de espíritos infantis desperta a criança interior que existe.



Táyéwò é saudado com a expressão: Táyé Lólú Èjìrẹ́.




Animal-totem: macaco.

Autora: Rainna Tammy

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Fonte de Pesquisa:




sábado, 2 de agosto de 2014

Bruxas Encantadoras


 

 
Por traz de uma beleza sempre há mistérios. Todas bruxas são encantadoras, sedutoras e amáveis. A sabedoria nata a conduz para um caminho holístico. Sua inteligência multifocal conduz a liberdade plena. Ela pode voar na sua vasoura mágica e pode estar em todos os lugares espalhando a sua essência mágica.
Na super Lua Cheia a reunião das bruxas acontece, o grande círculo é aberto para realização de sortilégios.O elo com a Grande Mãe-terra e a Lua fazem parte da sua invocação pra trasmutar o que desejam. As mulheres comandam tudo o que é sagrado e seus inimigos furiosos redam e ajoelham em seus pés reconhecendo a sua superioridade.
A energia do bem sempre predomina e vence. Cada conquista vitoriosa é honrada com poesia, oferenda de gratidão e festa. Cada bruxa carrega consigo o símbolo do poder e da força. Elas morrem e renascem com as energias da sabedoria avançada e inovadora. As bruxas são como as luzes radiantes que brilham como o Sol do meio dia.
O Universo e os mundos paralelos conspiram sempre a seu favor com agilidade.
 
Autora: Rainna Tammy


segunda-feira, 28 de julho de 2014

Festival de Òsun Òsogbo


Òsun - Arte: André Luiz

É na Nàìjíríà a cidade de Òsogbo, Estado de Òsun, tem um rio sagrado conhecido como Rio Òsun e um templo que homenageia a rainha Òsun, a grande Divindade (Irúnmolè) regente das águas doces e dos nascimentos (Crianças). Ela foi mulher de Sàngó, Ògún, Òsóòsì, Òrúnmìlà e segundo algumas fontes, até do próprio Obàtálá (Òsàlá). É considerada Mãe de Ológùn Ede, o Poderoso Feiticeiro de Ede, filho que teve com Ode Òsóòsì e com Ode Erinlè, segundo outros.
Centenas de pessoas Ìjèsás foram presas, trazidas para o Brasíl, vendidas nos Mercados e tornou escravos. Sua identidade era trocada, um novo nome recebia ao ser batizado por um frei ou sacerdote católico. A religião cristã era imposta pelo clero e pelo seu dono. Tinha que seguir e obedecer todas as ordens clericais e sociais.
Com eles vieram a sua história e sua cultura, mas as suas religiosidades foram proibidas de praticá-las. Apesar dos castigos cruéis e mortes praticadas pelos seus donos, a cultura e a fé não podiam morrer. Criaram estratégias para continuarem cultuar os Imolè. As estatuetas eram feitas de madeira ou argila no momento em que os jagunços estivessem dormindo e enterradas juntamente com as oferendas.
Uma das divindades mais cultuadas na Umbanda, no Candomblé e até mesmo na Santeria em Cuba era Òsun, a deusa do amor e do ouro, senhora de todas as águas doces, rios e cachoeiras.
Òsun, a Vênus Africana é uma deusa da fecundidade, responsável pela procriação e pela continuidade da espécie humana é cultuada pelas donzelas que desejam casar e ter filhos.
Segundo a mitologia africana a mulher que não conseguisse engravidar deveria a cada cinco dias dirigir-se ao rio próximo a sua casa, carregando sobre a cabeça um pote pintado de branco e levar contigo presente a Òsun. Deveria preparar ègbo (milho branco cozido), yánrin (refogado de uma planta popularmente conhecida como serralha no Brasil), èkuru (de inhame com dendê) e èko (pudim de milho branco). Juntar a essas comidas obì e orógbó e, antes da alvorada, levar tudo ao rio, acompanhado por um grupo de crianças cantando em coro. Ao chegarem, deveria encher o pote branco com água do rio, entregar as oferendas nas águas e retornar cantando. A água seria então, despejada num pote chamado Àwè e, nos cinco dias subsequentes, deveria ser usada para banhos diários e também para beber. Muitas mulheres receberam as bênçãos da Deusa Vênus concebendo no seu ventre o filho o que tanto desejava. Elas podem conceber no seu ventre Èjìré/Ìbejì e Doum. Todos os filhos que foram concebidos por intercessão de Òsun gozavam de perfeita saúde porque amamentaram do sangue que transformou em leite.
Na Suméria a deusa da Fecundidade, da Riqueza e do Amor era Inanna. Todas mulheres inférteis recorriam a essa deusa para que pudessem ter filhos, prosperarem nas produções agrícolas. Inanna também ficou conhecida como a deusa Vênus da Suméria, criou oráculo de adivinhação e preparou diversas sacerdotisas. 

  

Yemojá pariu Òsun na profundeza das águas do rio no Odù Òsér’ogbè – Nàìjíríà. O povo a fim de homenageá-la batizou o local e o rio com o nome de Òsun.
As crianças que nascem nesse local recebem o nome de Òsun e na época do festival, as famílias vão buscar a água sagrada do rio  Òsun para ser usado nos seus ritos e rituais mágicos. Os pedidos, os agradecimentos, as oferendas são lançadas nas correntezas do rio Òsun e tocar na água sagrada simboliza bênção da poderosa Iyá mi Òsun.

Cor: Amarelo, Azul e Vermelho.

Animal-totem: Arara vermelha.

Pedra: Pérola, Topázio real amarelo, Pedra-do-rio.

Metal: Ouro amarelo, Cobre e Bronze.

Dia da Semana: Sábado (Ojó Àbáméta) e na Nigéria é no primeiro dia da semana Yorùbá dos quatro dias (Ojó Awo)

Símbolos ritualísticos: Eta (pedras de rio), owó eyo (búzios), àwè (pote de cerâmica para água), aso funfun (pano branco), ide wéwé (pulseiras de cobre), òòyà (pentes de madeira, cobre, etc), Abèbè (leques), Ìrùkèrè (elemento símbolo de realeza), etc.

SAUDAÇÕES:

Ekúàbò Òsun! (Que seja bem-vindo Òsun!).

Pawó Òóré Yèyé o (Aplausos para Mãe da Bondade!!!!.

Autora: Rainna Tammy






domingo, 27 de julho de 2014

Òsanyìn, Ewe-o!


 

 
Òsanyìn é o Òrìsà guardião da floresta, conhece os segredos sagrados da flora. A força vital encontra na raiz principal Axial ou Pivotante e nas ramificações. A raiz é imprescindível à planta, haja vista que além de fixar ela absorve do solo os nutrientes necessários à sobrevivência do vegetal. O caule é um órgão dos vegetais que é responsável por dar sustentação à copa das árvores e transportar a seiva elaborada e bruta produzidas pelas plantas desde as raízes até as folhas.
As folhas tem a função de captar as energias solar e realizar a fotossíntese, permitir que a planta transpire e realizam as trocas gasosas. A planta cresce, floresce, dão frutos, envelhece e morre.
A flor é o órgão reprodutivo das plantas angiospermas. Flores que apresentam órgãos reprodutores de ambos os sexos, masculino e feminino, são chamadas de hermafroditas (ou monóica) e a flor hermafrodita.
Apesar de contribuírem com a beleza da natureza, principalmente durante a estação da primavera, a existência das flores possui um objetivo reprodutivo: contribuir com a produção de sementes do vegetal. Desta maneira, novas plantas são capazes de surgir e crescer.
No Reino Vegetal quem comanda é Òsanyìn, o guardião das folhas(Ewé) sagradas.
Òsanyìn é uma Divindade das folhas, ligada à cura e a magia. Essa divindade bastante cultuada por Curandeiros (Onísegùn) e Magos (Olóògùn). Também está associado com Ìyámi Òsòròngà. 
Na Suméria iremos encontrar história que relata a história da deusa Gula que extraía das ervas essência que era capaz de combater enfermidade do corpo físico e espiritual. A folha era considerada sagrada pela deusa Gula. Era da natureza que ervas eram retirada e manipulada e transformada em Elixir, Xarope, Pomada, Tintura, Cataplasma, Chá para combater enfermidades. Somente a deusa Gula e seus sacerdotes conheciam os segredos das folhas e a Arte de manipular. Tanto a Divindade Òsanyìn quando a Deusa Gula se tornaram padroeiros dos Médicos, Curandeiros e Magos.
 
 Rainna TammyAutora
 
 
 


sábado, 19 de julho de 2014

Obaluàiyé, rei da Terra



Omolú era um jovem vigoroso que desde cedo foi preparado por um grande Oso para tornar um feiticeiro. Omolú tinha um coração generoso, caridoso. Aos cinco anos de idade deparou com a queda de um pássaro que agonizava no solo. Ele pegou-o o pássaro quase sem vida, soprou para que viesse despertar, colocou no centro da sua pequena mão, de repente o pássaro voo e foi embora. Naquele momento a Força vital curadora manifestava naquele pequeno ser. O seu Mestre Oso percebeu que Omolú tinha o Dom de curar a Terra de todos os males, pois nas palmas das suas mãos saiam chama de luzes coloridas e tudo que tocava era curado.
Quando havia algum tipo de epidemia na aldeia Omolú, o salvador pegava a sua vassoura de palmeira para limpar o Ar, as ervas para defumar, água para lavar a alma, o fogo para espantar e eliminar a enfermidade.
Certo dia Omolú recebeu um convite da Aldeia vizinha para uma grande festa e preparou-se para viajar no dia seguinte. Quando acordou viu que o seu corpo tinha sido afetado com a maldita varíola.
Como não podia faltar na festa da Aldeia vizinha, colocou um capuz feito de ìko[1], vestiu-se de palha[2] e foi fantasiado de Sànpònná, mas uma jovem assustada ver o rosto desfigurado, reconhece Omolú e começa a gritar:
- Não olhe no rosto dele para que não seja contagiado pela peste negra.
Naquele momento a enfermidade já se espalha na região no qual Omolú visitava, o povo se revolta e culpa-o por ter levado enfermidades para a Aldeia. Chateado com o acontecido retorna para a sua Aldeia, na região de Taba, socorre todos os enfermos espantando a peste negra. Alguns acreditavam a peste negra foi embora por causa das vestes que usava. Outros acreditavam que as vestes que usava pode enconder a enfermidade do seu corpo, mas a sua Força Vital curadora pode operar milagres que surpreenderam os curandeiros do local.
A enfermidade alastrava por quase todas as regiões da África ceifando centenas de vidas, mas Omolú de Taba, o grande feiticeiro utilizou as suas Forças Vital Curadora, o Àse Ìwòsàn para socorrer o seu povo e as suas mãos de luz pode curá-lo.
A noite já aproximava e cansado vai para o seu repouso descançar, mas ao levantar e ver no espelho percebe que o seu corpo estava limpo e sem manchas. Ele descobre que autocurou.  Omolu venceu a morte e renasceu. 
Omolú veste de enigma e o seu capuz feito de palmeira igi ògòrò pode esconder os mistérios do desenvolvimento e do odor da peste negra.
Por ter salvo centenas de vida, o povo reconheceu e deu o título de Obalúùaiyé, o rei da Terra de Taba[3]. O Rei do Mundo dos encarnados e do mundo dos desencarnados como ficou conhecido. Ele detém o poder dos espíritos e dos ancestrais, os quais o seguem.
Obalúùaiyé oculta sob o saiote o mistério da morte e do renascimento (o mistério do gênesis). O nosso corpo contém energia do solo, pois tudo que alimentamos vem da terra, somos terra e nosso corpo após a morte orgânica se torna adubo ou seja, viemos do pó e pó volta a ser.
Obalúùaiyé carrega consigo um o Sàsàrà, espécie de cetro de mão, feito de nervuras unidas da palha do dendezeiro, enfeitado com búzios e contas usado para captar das casas e das pessoas todas energias negativas. O Sàsàrà é usado para varrer as enfermidades do Plano Físico, as impurezas e males sobrenaturais.

Na Suméria os curandeiros também usavam água, óleo vegetal, argila, fogo, defumação, o sopro, poções e feitiços para combater uma enfermidade, uma maldição ou algum problema de ordem espiritual. Eles ficavam mascarados usando a carcaça de um animal sobre a cabeça, vestiam pele de tubarão ou outros animais, assobiavam, gritavam, pois acreditavam que com gestos aterrorizadores poderiam mandar embora os espíritos maléficos, as doenças ou qualquer infortúnio. Os curandeiros evocavam a deusa Ningirin antes de socorrer um enfermo e pedia para Sibitti, o deus da morte para que se retirasse e retomasse para o submundo o seu lugar.


Número: 7 e seus múltiplos.

Dia da Semana: Segunda-feira / Quarta-feira - dia da Cura e da Libertação;

Cor: preto, vermelho e branco é a cor mais usada. Porém, há outra cor benéfica que pode ser usado numa cura.

PRETO para neutralizar o malefício;

BRANCO para purificar;

VERMELHO – na cromoterapia esta cor é utilizada para cura de depressões, anemias, fragilidade emocional, auto-estima, problemas nas pernas, e problemas circulatórios.

LARANJA – serve para bloqueios na expressão de sentimentos, doenças dos órgãos reprodutores, problemas na bexiga, infecções em geral.

AMARELO - curar os problemas do aparelho digestivo (digestões difíceis, úlceras, problemas de trato intestinal).

VERDE - serve para curar dores em geral, problemas respiratórios, asma, bronquiolites.

ROSA – é usado para equilibrar o emocional e devolver o bem-estar em geral.

AZUL – combate a enxaqueca, acalma o nervosismo, ansiedade, stress, e a insônia.

LILÁS – serve para curar o cansaço geral, medos, fobias, traumas etc.

Amuleto: Sàsàrà

Símbolo: Vassoura de palmeira.

Animal-totem: Cão.

Elemento: Terra.

Data da homenagem: Mês de agosto, dia 25.

Panteão: dos Dermatologistas, dos Enfermeiros e dos Curandeiros.

Oferenda: a pipoca sem sal é colocada em um alguidar (vasilha de barro), enfeitada com pedacinhos de coco e mel. Jogar flores de Obalúùàiyé (pipoca estourada no azeite de dendê) sobre a pessoa enferma restabelecer sua energia vital é uma tradição milenar.

Sincretismo: Na religião africanizada tradicional ou neopagão, a doutrina não está fundamentada no cristianismo e não tem sincretismo. Alguma nação do Candomblé, do Omoloko e da Umbanda há Sincretismo.

Ritual sagrado: Olúbáje (comer juntos para comemorar a vida e dançar sob folhas da mamoneira para comemorar a morte). Todo ser humano morre várias vezes e renasce no decorrer da sua vida na Terra.

Saudação:

Ekúàbò Obalúùaiyé! (Que seja bem-vindo Obaluaê!)

Obalúùaiyé Àyinlógo! (Obaluaê é glorioso e louvável!)

Pawó Aláàbáláse!!! (Aplausos para aquele que tem poder e co manda!!!)

Atótóo! Ódé (Silêncio! Ele chegou).

Arére! (Silêncio!)

Autora: Rainna Tammy

[1] Palha da costa, fibra de ráfia extraída da palmeira igi ògòrò

[2] Sua vestes era composta de duas partes o “Filá” e o “Azé“, a primeira parte, a de cima que cobre a cabeça é uma espécie de capuz trançado de palha-da-costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura, o Azé , seu asó-ìko (roupa de palha) é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos, em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia vai um Xokotô, espécie de calça, também chamado “cauçulú“, em que oculta o mistério da morte e do renascimento. Nesta vestimenta acompanha algumas cabaças penduradas, onde supostamente carrega seus pós mágicos de cura e libertação.

[3] Obalúùaiyé tornou um deus-homem após atingir o grau de evolução superior conquistado durante a sua experiência de vida. A maturidade, a idade cronológica contribuiu para que continuasse reinar com sabedoria e usufruir das riquezas conquistadas durante o seu governo. Títulos e méritos foram conquista importantes.
Quando Obalúùaiyé manifesta como idoso é para demonstrar a sua humildade. Omolú e Obalúùaiyé é um Òrìsà Uno. O título diferente apenas para demonstrar estágio da sua vida, período jovial de aprendizagem e Ancião demonstra experiências e sabedorias adquiridas.
As religiões Afro-brasileiras creem que Obaluaiyé é um Òrìsà Jovem "Dono da Terra da Vida" e Omolu é um Òrìsà Ancião, o senhor dos cemitérios, Divindade das doenças.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Òrìsànlá-Obàtálá


  
Òòsà (forma reduzida da palavra Òrìsà) + nlá (lá) = Òsàlà (forma reduzida do nome da divindade Òrìsànlá).
Òsàlà é um título dado a Obàtálá, o Deus Filho da Criação humana, o rei da pureza ética. A vestimenta branca é uma forma de destacar dos outros Òrìsàs. Ele é Supremo e está em conexão com todos os Òrìsàs. É um nome genérico de vários Òrìsà Funfun/Òrìsà de branco, é como são chamados por outros Orixás[1]. Todos os seres humanos são filhos do Deus Filho Supremo Obàtálá. O seu Exército Celestial veste de branco para representar a essência divina presente em todos os seres humano. No Brasil Òsàgiyán recebeu um nome genérico Oxalá jovem e Osàlúfón recebeu o nome genérico de Oxalá ancião.
Òsàgiyán é um Òrìsà jovem, alegre, generoso, solidário e ingênuo, pois não consegue ver maldade nos corações das pessoas.  Ajuda os outros mais se esquece de si mesmo. Acredita que o malefício está presente nos corações daquele ignorante, porém achava que a sua pessoa estava protegido, imune de qualquer impureza maléfica. Após passar por diversos desafios pode comprovar que primeiro deve amar a si mesmo, auto ajudar para depois amar e ser generoso a outras pessoas. Essa experiência contribuiu para a sua evolução, pois é nos erros que adquirimos forças, experiências e sabedoria.
Certo dia, Òsàgiyán vai até o oráculo e um dos Odùs revelava que era para manter vigilante, pois os inimigos estavam tentando destruir e conduzir para o submundo. Os inimigos podem manifestar como um cordeiro indefeso, mas, que agem como lobos famintos e enfurecidos. O brilho, a pureza e a perfeição incomodam os olhos, a mente e o coração dos invejosos. A cautela deve haver para que não seja pego de surpresa e quando tentar lhe pegar cairá sobre vossa armadilha porque você deve ter uma sabedoria multifocal, saber jogar e ter a chave do poder. Manter os seus amigos e inimigos confusos é uma das estratégias muito importante. Outra estratégia jamais permita que a sua vida seja um livro aberto para que as pessoas possam ler e conhecer o seu íntimo. Você deve fingir que foi atingido, foi derrotado ou deve até fingir que está morto durante uma batalha. Agindo dessa forma você ganha tempo para arrumar estratégia para derrotá-lo. Até o presente o momento o ser humano mantém esse comportamento animalesco, são capazes de devorar, matar o melhor amigo por causa do dinheiro, de uma posição social de destaque ou por causa de emprego. 
Òsàgiyán foi enganado por um espírito inferior, mistificador que rotulou como Èsù para denigrir a imagem do Òrìsà Èsù, o Benfeitor. Essa emboscada era para desequilibrar emocionalmente Òsàgiyán, causar rivalidade e duelo entre os Òrisàs. Mas, Òsàgiyán tinha certeza que Èsù não usaria essa estratégia maléfica para prejudicar alguém. Todas essas artimanhas era de um Àlùjònnú Nírèje[2] materializado.
As histórias relatadas entre o povo Yorùbá e o povo hebreus são semelhantes, poderá perceber ao decorrer dos relatos de Òsàgiyan e Yeshua; os sete anos de seca que ocorreu no povoado de Oyá e a seca do Antigo Egito. Tanto Òsàgiyán quando o Mestre Jésù passaram por diversas tribulações, traição e decepções. Nós também estamos sujeitos a passar por esses desafios da vida terrena. Òsàgiyán demonstrou que a sabedoria, o amor e a humildade devem caminhar juntos. A chama por mais que seja pequena mas consegue iluminar a escuridão. O amor perdoa, o amor supera, o amor vence a maldade. A sabedoria conduz ao caminho da liberdade, da paz e da vitória.
Osàlúfón é um Òrìsà que adquiriu experiência, sabedoria no decorrer da sua encarnação na Terra. Costuma manifestar como um idoso para demonstrar humildade apesar da sua grande sabedoria. O Òrìsà Ayrà e outros vestidos de branco  pertencem ao elemento Ar.

Instrumentos mágicos dos Òrìsàs de branco: mão de pilão, pilão, cajado, búzio branco.
Instrumento musical: Chocalho de Igbá, tambor, Gã.
Animais-totem: pombo-branco, galo branco, carneiro branco.
Pedra: Cristal rocha, Pedra de rio, Quartzo-leitoso.
Metal: Ouro branco, prata e alumínio.
Artes: Colar de sementes brancas, plumas de pavão branco, cachimbo e tambor.

Cor: Branco.
Elemento: Ar/Atmosfera
Número mágico: 01, 07
Dia da semana: Sexta-feira.

Oferendas: Canjica-branca com cobertura de clara em neve, arroz doce, escaldado com farinha de milho branco, cebola doce e azeite de oliva, feijão branco, nozes de cola, leite, água, mel, algodão branco, moeda prateada, cocada, rosas e velas brancas. 
Ervas: Algodão branco, manjericão branco, alecrim, rosa branca trepadeira, folha de coqueiro do Brasil, folha de milheiro branco, saião etc. 
Panteão: dos pastores (criadores de ovinos) e pai das invenções.
Símbolos: Òsóró (cajado), saco da criação e os Universos.
SAUDAÇÕES: 
Obàtálá Àyinlógo! (Obàtálá é glorioso e louvável!)
Pawó Aláàbáláse!!! (Aplausos para aquele que tem poder e comanda!!!)
Autora: Rainna Tammy.




[1]Oxalá = exprime desejo de realização de um fato; tomara; queira Deus.
Etimologia: Do árabe إن شاء الله (in shaa Allaah): se Deus quiser.

[2] Espírito engador, máléfico, trapaceiro.


Fonte de Pesquisa:


Shrine Obàtálá - Nigéria http://youtu.be/0gOaxnUeJZU?list=RDYB7lztYu6so

sábado, 28 de junho de 2014

Ìtan Òsóòsì & Òsányìn


Òsóòsì é um Òrìsà africano da Arte, do Combate e da Defesa, Provedor de Abundância, Guardião do Ecossistema. Òsóòsì, o feiticeiro de Ifá representa os homens coletores da Idade Paleolíticos.
Segundo a mitologia do povo Yorùbá relata que um pássaro grande rondava e causava pavor numa aldeia situado no Ifè. O povoado acreditava que seriam as Ìyámi Òsóòròngà poderia está arrumando armadilha ou laçando maldição no povoado. Visto que o rei deixou de oferecer parte da colheita, elas ficaram furiosas pela injustiça.



De repente, um grande pássaro de olhos cor de fogo pousou sobre o Palácio, lançando os seus gritos malignos. Todos se encheram de pavor, prevendo desgraças e catástrofes. O Rei então mandou Ìlàrí (mensageiro) buscar um guerreiro famoso da região de Ìlárá, que, arrogante e cheio de si, errou todas as suas investidas, desperdiçando suas 50 flechas. Chamou desta vez, das terras de Òsogbo, com suas 40 flechas. Embriagado, o guerreiro também desperdiçou todas suas investidas contra o grande pássaro. Ainda foi convidado para grande façanha de matar o pássaro, das distantes terras  de Òsóògùn região de Òyó, o guerreiro das 20 flechas. Fanfarrão, apesar da sua grande fama e destreza, atirou em vão 20 flechas, contra o pássaro encantado e nada aconteceu. Por fim, todos já sem esperança, resolveram convocar um Ode da cidade de Ìresà que pertencia a Clã Ìresàdú, mas o osó Ìresàdú (feiticeiro de Ìresàdú) tinha apenas uma flecha. Sua mãe sabia que Eléye, o pássaro ligado às feiticeiras poderia está furioso e podia causar maldição sobre seu filho e toda família. Ela foi consultar Ifá para Òsótokànsosó, os ojús odùs e os omo odùs revelaram que para enfrentar o Eléye teria que preparar oferendas com ekùjébú (grão de bico), também um frango òpìpì (frango com as plumas crespas), èkó (massa de milho envolta em folhas de bananeira), seis kauris (búzios). A mãe de Òsótokànsosó fez então assim, pediram ainda que, oferecesse colocando sobre o peito de um pássaro sacrificado em intenção e que oferecesse em uma estrada, e durante a oferenda recitasse o seguinte: "Que o peito da ave receba esta oferenda". Neste exato momento, o seu filho disparava sua única flecha em direção ao pássaro, esse abriu sua guarda recebendo a oferenda ofertada pela mãe do caçador, recebendo também a flecha certeira e mortal de Òsótokànsosó.
Ao ver o pássaro morto, todos começaram a dançar e gritar de alegria: "Òsóòsì! Òsóòsì!" (feiticeiro de Ifá). A partir desse dia todos reconheceram o seu poder, foi referenciado com honras e tornou divino, um deus-homem, cujo a função na Terra era caçar feiticeiros na floresta e desvendar enigmas da feitiçaria. Apesar que as  Ìyámi Òsóòròngà  não aceitam perdoar, mas sua presença pode apaziguá o Rei e as feiticeiras da floresta devolvendo-as recompensa retirada da solo.
As Àjés, mulheres pássaro, temidas feiticeiras laçavam feitiços sem piedade a todos aqueles que desafiassem o seu poder. Sua lei é olho por olho, dente por dente e sempre declaram morte imediata para os inimigos.
Provavelmente, o gavião-real que procurava alimento para saciar a fome, mas o povo acreditava que o pássaro do medo que espionava o local tinha ligação com as feiticeiras e poderia ter levado maldição. Para que a maldição não atingisse o povoado teria que matá-lo e somente um grande feiticeiro poderia atingir o seu peito com a flecha mágica. Òsótokànsosó provou que com apenas uma flecha pode eliminar o problema daquele povo supersticioso. Após a morte do pássaro a paz e a alegria foi reconstituída. 

Òsóò
 

 
No Brasil o Òrìsà Òsóòsì foi associado com o povo nativo, conhecido como índios, caboclos (miscigenação índio+branco). Enquanto que Òsányìn, divindade das folhas mágicas foi associado com Pajé-ameríndio, conhecedor dos mistérios das plantas medicinais e litúrgicas.

 Òsányìn

Òsóòsì-Ode é um Òrìsà bastante difundido no culto Afro-brasileiro, ganhou um novo personagem e uma nova forma de ser cultuado.
Instrumentos mágicos: Arco, flecha, lança, faca, colar de sementes, chifre e dentes de animais.
Animais-totem: Leopardo, Lobo, capivara, porco espinho, camaleão, onça pintada.
Pedra: cristal rocha, pedra de rio, Quartzo-verde.
Artes: Armamentos rústicos de pedras e madeira, fabricações de produtos de argila, sementes, madeira, plumas, cachimbo, esteira, redes, gamela de manacá, canoa, tambor e flauta.
Instrumento musical: Chocalho de Igbá, tambor, flauta.
Dança tribal: imitar animais
 
Cor: Verde, preto.
Elemento: Terra
Número mágico: 6
Dia da semana: Quinta-feira.
Oferendas: frutas tropicais, Bejú, carne de caça, peixe assado, milho, batata-doce, inhame e mandioca assado na brasa, mel etc.
Panteão: Òsóòsì é divindade dos Zootecnico, Artesão, Agricultor e do ecossistema/Òsányìn panteão dos feiticeiros curadores, dos Pajés, dos Médicos naturalista e dos homeopáticos.
Símbolos: Arco, lança, flecha etc
 
SAUDAÇÕES:

Ekúàbò Òsóò! (Que seja bem-vindo Òsóòsì!)

Òsóòsì Àyinlógo! (Òsóòsì é glorioso e louvável!)
Òkè Arò. (Divindade das colinas de Abéòkúta usa cabaça como canil).
ÀròÒsóò! (Feiticeiro da floresta!) 
ÀròÒsányìn! (Òsányìn espírito das matas, conhecedor da medicina nativa!)


E sé o Ewèlè! (Obrigado Orixá da floresta!)
 
Pawó!!! (Aplausos).

Rainna Tammy Autora