quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Ìyá mi Àgbà Olósà Nàná



Na antiguidade Olósà Nàná, a deusa anciã do Ewe-fon de Dahomey era cultuada como a Mãe-suprema, a poderosa maga, Ìyá dos deuses, rainha das sacerdotisas, grande Senhora da magia, guardiã dos conhecimentos mágicos. Provavelmente a deusa Inanna recebeu um nome semelhante à Anciã africana Olósà Nàná como forma de homenageá-la. Alguns acreditavam que a deusa Inanna era a reencarnação da Deusa Olósà e por isso deveria ser cultuada com muita festa e alegria.
Tanto Inanna quanto Olósà Nàná estiveram no submundo, viveram no Vale das Sombras e atravessaram lamaçal. Ìyà Àgbà ao retornar para a Terra trouxe nos braços o seu Ìbírí¹ da Vitória, o cetro da Autoridade e de Poder.
Na Suméria, Olósà Nàná se apresenta com uma nova faceta simbolizando a primavera, a inovação, a beleza e a alegria. Num novo corpo trouxe a magia no olhar, saber intelectual, a beleza no falar, era Inanna o messias feminino escolhido para comandar.
Todos os seres estão sujeitos fazer uma viagem no submundo. A estação do outono representa o submundo, período que a vegetação perde suas folhas, sua beleza, mas as raízes que estão no Vale das Sombras tem a função de protegê-la e de retirar energia vital armazenado no subsolo para fazer a fotossíntese. Fortalecida ela renasce, demonstra a sua beleza encantadora e segue o seu percurso através do ciclo natural.


O ser humano para evoluir precisa de adquirir experiência através das observações e ações experimentais. Com o erro aprende a fortalecer, aprende a aprender e desenvolve. O ser humano precisa viver no submundo precisa morrer para renascer, precisa adquirir  experiência para poder evoluir. Esse é um processo natural que ocorre no mundo dos reinos vegetal e animal. Tudo se transforma na natureza. Tudo que existe provém de matéria preexistente, só que em outra forma, assim como tudo o que se consome apenas perde a forma original, passando a adotar outra. Tudo se realiza com a matéria que é proveniente do próprio planeta.
Olósà Nàná  representa a vida, a transformação, a morte e o renascimento. Ela é orientadora do destino, guia da trajetória e Ìyà Àgbà conselheira.
Olósà é conhecida por vários nomes, dependendo da região e do dialeto. Em Dahomey (atual República do Benin) está localizado seu principal templo, conhecida como Nàná. Ela está fortemente ligada ao elemento terra e água e, é chamada de "Senhora dos Pântanos", assinalando-a como uma Grande Mãe que é responsável pelo sopro da vida e consequentemente da morte. Na lama do lago está depositado diversidades de vegetação aquática. O Lírio aquático das Òsàs é considerado como rainha do lago, flor encantadora e misteriosa.
As Osàs guar     ;diãs dos pântanos protegem os catadores de Caranguejos e a biodiversidade pantaneira.
Nàná sempre conduz os seres humanos com muita seriedade, justiça e determinação. Seus cânticos são súplicas para que a morte seja mantida afastada e que a vida seja preservada. Esta deusa matriarca é como um baluarte que fortalece a fé e oferece esperança a todos aqueles que desejam viver uma liberdade plena, obter abundância e ser feliz.
O ser humano não precisa ser um religioso, viver sob um dogma morto ou ser um escravo de líderes religiosos. Seguir apenas uma religiosidade porque o indivíduo terá a liberdade de acreditar num deus espiritual ou não, pode acreditar numa filosofia de algum mestre que tenha mais afinidade e possa atender a sua necessidade.
Somos espirituais portadores de energia vital e estamos passando por experiência humana neste Planeta Terra. Somos todos deuses para quem acredita na existência de deísmo, mas isso é uma crença subjetiva. Não podemos impor uma teoria teológica como verdade absoluta porque nem tudo que vivenciamos ou presenciamos tem uma comprovação científica. Mas graça ao avanço da Física Quântica pode comprovar a existência da energia vital, áurea e outros fenômenos espirituais tem sido desvendado.
O cérebro mesmo após a morte do corpo físico mantém consciente com todos os arquivos registrados e, é conduzido para outra dimensão etérea.
Numa sociedade subjetiva não há título de um deus supremo, de algo sagrado ou profano. O indivíduo tem a liberdade e consciência racional para crê naquilo que complementa o seu eu.
Olósà Nàná foi reconhecida como uma deusa Anciã por ter prestado um grande trabalho na Terra, uma guerreira que lutou em pró do seu povo. Ela teve uma experiência magnifica, foi acolhedora, mestra, pacificadora que soube combater as diversidades com sabedoria. O seu povo sul africano contemplou titulando de Òrísà, a grande deusa Ìyà Àgbà Olósà.

Ilust. José Carlos Martinez

Olósà é conhecida no Brasil como Nàná Bùúrùkù (Nanã Burunku/Nana Buluku) pouco cultuado na religião Afro-brasileiro. Ela foi modelo onde muitas mulheres da época se inspiraram na sua figura como modelo para viver. Para muitas pessoas essa matriarca mantém viva no seu pensamento e no seu sentimento. Ao conectar com o mundo espiritual podemos ver a magnífica nobreza e os seus raios violetas vindo em nossa direção. A grande Mestra Ìyà Àgbà Olósà Nàná com a sua chama violeta direcionando a humanidade consegue combater as energias nocivas, transmutar e transformar o nosso ego quando permitimos.
Olósà Nàná foi uma líder tão carismática e guerreira quanto Nelson Rolihlahla Mandela titulado de Madiba, o herói que combateu a diferença racial, o ódio e a guerra com sabedoria. Se os cristãos titularam Yeshua, o Jesus ungido de "deus" por que fazer uma crítica não construtiva contra outras culturas? Portanto, se Jesus é filho de deus, somos deuses por serem filhos do mesmo Deus Criador. Jésù, outros Mestres e os Melquisedeques foram grandes homens iluminados que deixaram um legado magnífico e um grande exemplo de como viver em harmonia com os amigos e os inimigos.


Dia da semana: Sábado

Animais sagrados: Àtìòro, coruja, águia, sapo, caranguejo e serpente.

Planta sagrada: Lírio Aquático (Flor-de-lótus), Cavalinha/Rabo-de-cavalo, Junco, Piri, Saranzeiro etc

Metal: Latão

Cores: Violeta ou roxo, azul águas profundas

Fase lunar: Lua Minguante

Comidas: Aberém, mugunzá,  mostarda e taioba

Símbolos: Ìbírí, cetro e búzio Àjé

Elementos: Lago e lagoa

Origem: Ewe-fon - Dahomey - África

Gema: Ametista

Plantas, frutas e raízes regionais sagradas: Folha-da-costa, folha de mostarda, hibisco, amora, jabuticaba, uva-roxa, mangostão, pinhão-roxo, manjerona-roxo, beterraba, repolho-roxo, batata-roxa-doce, beterraba, mandioca etc

Odu que Rege: Odilobá

Saudação:

Sálùbá Ríkà Ìyá mi Àgbà Olósà Nàná! (Obrigada minha grande mãe da lagoa!)

"O bravo não é quem não sente medo, mas quem vence esse medo.
Uma boa cabeça e um bom coração formam sempre uma combinação formidável.
A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.
Você não é amado porque é bom, você é bom para ser amado.
Quando nós nos libertamos do nosso próprio medo,
nossa presença automaticamente libertará outros".
                                                                     Nelson Mandela

18/07/1919 - 05/12/2013 

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1- Cajado feito com nervuras de palmeiras, presas com tiras de couro e ornadas com contas e búzios. Símbolo sagrado da deusa Olósà, guardiã dos lagos e das lagoas.
Autora: Rainna Tammy