quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Deusa tríplice africana


Com a chegada de grande número africano no Brasil ocorreu à miscigenação entre as etnias: povo nativo, europeia, africana e asiática.
As religiões criadas no Brasil estão presentes as diversidades culturais. As religiões afro-brasileiras na maioria são relacionadas com a religião yorùbá. Também há outras religiões de matrizes africanas como Angola-bantu, Baçuê, Batuque Jeje-Ijexá, Batuque Oya, Candomblé Ketu, Culto de Ifá, Encantaria, Kabula, Omoloko, Nagô-vodun, Umbanda etc... 
Afro-Summer tem uma religiosidade voltada às tradições religiosas da nação africana: Ilésà, Òyó (Nigéria), egípcia da XIX dinastia - 1290 - 1224 a.C; nação Suméria (2285 - 2250a.C.); da nação Ameríndios - Incas e da nação Asiática Tibet - caminho Vajrayana/budismo esotérico/tântrico.
As três deusas africanas de destaque são: Olósà Nàná, a maga anciã; Yemojá, a Grande-mãe das águas doces e Òsùn, a donzela das nascentes e das cachoeiras.
Na Suméria as três deusas que mais destacou na antiguidade foram: Nammu, a deusa Anciã portadora de todos os conhecimentos ocultos; Deusa Antu, a Grande-mãe da natureza e Inanna-Vênus, a donzela primaveril. Nammu simboliza a Lua Minguante, Antu simboliza a Lua Cheia e a deusa Inanna representa a Lua Nova/Crescente.

Deusa Òsùn

A Donzela: Desabrochar da feminilidade, maturidade e despertar da sexualidade. Está relacionada à primavera, início de uma Nova Era. Ela é encantamento, sedução e florescimento. É aurora, esperança e alegria que nasce em nosso coração.
A Mãe: O segundo aspecto da deusa é a mãe responsável pela fecundação, procriação e alimentação das espécies.
Como Mãe, a deusa das águas dos rios e dos oceanos simboliza a fase da Lua Cheia, a Estrela Orion popularmente conhecida como Estrela três Marias. Essas estrelas, facilmente identificáveis no céu pelo brilho e por estarem alinhadas, têm o nome de Mintaka, Alnilan e Alnitaka. A constelação tem a forma de um quadrilátero com as Três Marias no centro.
Na religião afro-brasileira a Òrìsà Yemojá se apresenta com característica europeia. A rainha do mar como se tornou conhecida no Brasil, tornou panteã dos marujos e dos pescadores das águas marítimas. 
Os cultos afro-brasileiros vêm ganhando destaque nas Américas e várias parte da Europa.
A Anciã: Olósà Nàná é a portadora e guardiã dos conhecimentos ocultos, dos mistérios da sabedoria mágica, a rainha do submundo e de todos os segredos místicos.
A anciã, a deusa dos Lagos e Lagoas por ela própria está associada ao inverno.
Todos precisam ir para o submundo e viver na sombra para valorizar o seu mundo interior. É preciso morrer várias vezes para renascer e conquistar a liberdade plena.
A religião para a maioria das pessoas é como um bálsamo e os dogmas servem como um suporte seguro para guiá-las. Elas precisam da ideologia e viver sob domínio dos demagogos até despertarem do sono profundo. Terá que passar para outras etapas do sono para acordar para o mundo real e abraçar a liberdade.
Para a anciã não existem suspense e nem mistério, pois em função da sua idade, acumulou experiências, transformando-as em sabedoria e desvendou os segredos. Ela é a pessoa idosa que já viu tudo, passou por isso com seu espírito não abafado e com o temperamento moderado pela experiência sabe lidar com quaisquer desafios com sabedoria.
A Deusa Tríplice ou Tríplice Deusa está associada às três fases visíveis da Lua, manifestando-se de três maneiras: Na Lua nova/Crescente, a Deusa é a Donzela; Na Lua Cheia, ela é a Mãe e na Lua Minguante é avó portadora e guardiã das sabedorias mágicas.
Os ancestrais da nação Yorùbá acreditavam que a Terra havia a dualidade [1] de deuses reinando e, esses deuses eram Olósà Nàná, a maga Anciã e o mago Ancião Obàlúwàiyé. Mas com invasões sangrentas nas terras de Òlósà, o seu povo teve a vida ceifada enquanto Nàná estava ausente. Quando Nàná deparou com o fato, ela chorou muito que as suas lagrimas transformaram numa lagoa. Foi na lagoa que ela se fez a sua morada e os ancestrais passaram acreditarem que todo o Lago e toda Lagoa são sagrados porque Òlósà Nàná está presente no Espelho Mágico revelando todos os mistérios, curando e libertando quem ingerisse ou tocasse nas águas sagradas. Grande número de pessoas antes de tomar qualquer decisão pessoal ia até a Lagoa para consultar o Espelho Mágico (lago/lagoa).
A deusa Olósà Nàná e o deus Obàlúwàiyé são de diferente importância para os místicos afros- Summer porque não há hierarquia entre eles apenas são complementares.
A trindade está presente praticamente em todas as culturas com características, formas e significados semelhantes. 
O Culto as deusas ocorreu desde a Idade Paleolítica, na época em que a mulher era considerada sagrada, mediadora dos deuses do mundo de Orun e de outros mundos paralelos. A triplicidade da deusa pode ser percebida em muitas facetas da vida. Se lhe concedermos a oportunidade para se manifestar como figura mítica, ela poderá inspirar a nossa alma, assim como nutrir, sustentar e transformar o cerne do nosso ser.
Estudos apontam que a ascensão do patriarcado na religião fez com que a tradição de adoração à deusa se tornasse ameaçadora à consolidação do poder pelos homens.


Autora: Rainna Tammy
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[1] Dualidade cósmica.

Yemo

Olósà Nàná